Em sessão da Câmara Municipal de Torres participou da tribuna popular o presidente da Associação Espiritualista de Umbanda e Cultos Afros de Torres Luz e Caridade, Edvilson da Rocha. Ele foi à Casa Legislativa à Pedido do vereador Moisés Trisch (PT) para explicar de forma pública a verdadeira missão da entidade, bem como esclarecer alguns dos nortes e as crenças da religião de Umbanda e suas vertentes. Mas aproveitou o momento em que um Projeto de Lei, da autoria do mesmo vereador Moisés, iria à votação na Câmara, justamente para criar uma semana anual desta cultura religiosa, para que a cidade lembre e respeite dos cultos entre seus moradores e simpatizantes, pedindo que os vereadores apoiassem a aprovação da matéria.

O líder da associação listou os trabalhos de caridade da associação no âmbito de Torres, como, por exemplo, a criação e a utilização sistêmica de um Banco de Alimentos para distribuir comida às pessoas necessitadas, além de outras ações também ligadas ao combate à fome. Mas Edvilson utilizou seu espaço principalmente para aproximar a cultura das religiões afrô e Umbanda das pessoas locais. Ele utilizou dois fatos objetivos para ilustrar seu raciocínio:

1 – O lamentável apedrejamento que um dos Pais que trabalham no culto teve em sua casa, por conta da revolta de moradores contrários a sua participação na religião umbanda. Para ele isso foi uma demonstração de violência de pessoas perante um culto que busca justamente o contrário, fomentar o amor e a solidariedade entre as pessoas.

2 – A errada dedução de pessoas da população em geral de que a sujeira e as coisas deixadas nas esquinas e nas praias de Torres seriam fruto da Umbanda. O presidente explicou que eles não sacrificam animais em seus rituais de oração. Que, ao contrário, eles têm inclusive um trabalho sistêmico de limpeza de esquinas e praias que são feitos quando pessoas ligadas à umbanda denunciam locais com animais mortos e oferendas sujando o espaço urbano. Então, pessoas ligadas à associação se unem para limpar os lugares denunciados.

“Queremos levar conhecimento da religião, pois nosso norte é de fomentar o exercício de harmonia e igualdade entre todas as pessoas”, afirmou Edvilson.   Ele lembrou, ainda, que a religião é similar a outras crenças tradicionais como o cristianismo, ao exemplificar que Jesus, por exemplo, é cultuado com uma entidade de referencia na Umbanda, mesmo recebendo outro nome oriundo da cultura afro (Oxalá). E que o Deus maior para ele é o mesmo de todas as outras religiões.

O Projeto de Lei foi aprovado por unanimidade.